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OPINIÃO: A empregabilidade dos recém-formados e a qualidade do ensino superior angolano

As universidades angolanas, desde a sua institucionalização, na década de 80, até aos dias de hoje, sofreram mutações consideráveis, tanto ao nível das infra-estruturas como da oferta formativa, da expansão e diversificação das áreas de formação, da capacitação dos recursos humanos e da actualização da formação avançada do corpo docente. Estas transformações constituem variáveis relevantes para a discussão da problemática do ensino superior em Angola.

Por Carlos Conceição | Opinião 

Ademais, o número de diplomados pelas instituições de ensino superior (IES) em Angola cresceu em termos quantitativos, o que não se pode afirmar, com a mesma segurança, em relação à dimensão qualitativa da formação. Contudo, a questão de fundo não reside apenas nesta diferença, mas também no retorno que os quadros formados oferecem ao mercado de trabalho e às organizações, de maneira geral.

O Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2022–2027 faz referência à necessidade de criação de um observatório de empregabilidade dos graduados. Esta intenção governamental reveste-se de capital importância, na medida em que o observatório poderá contribuir para avaliar o percurso profissional dos diplomados pelas universidades angolanas e compreender melhor a sua inserção no mercado de trabalho.

Daí a necessidade de se defender a sua implementação e regulamentação, à semelhança do que acontece com o Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES), que tem desempenhado um papel importante nos processos de avaliação e acreditação, bem como na promoção e socialização da cultura da qualidade nas instituições de ensino superior.

É, de facto, necessário que este observatório funcione, de modo a permitir um acompanhamento mais sistemático dos quadros formados no País e do seu posicionamento no mercado de trabalho. Só assim será possível obter informações que contribuam para compreender a relação entre a formação ministrada pelas instituições de ensino superior e as necessidades das organizações e da sociedade angolana.


Sobre o autor

Carlos Conceição é docente universitário, sociólogo e PhD em Ciências da Religião. Escreve semanalmente artigos de opinião sobre ensino superior, sociedade e ciencias da religião.

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