Angola passou de 64 instituições de Ensino Superior, em 2016, para 106, em 2026, e conta actualmente com 352.873 estudantes e 11.947 docentes. Apesar da expansão da rede e do aumento da oferta formativa, o Executivo reconhece que transformar esse crescimento em qualidade, inovação e empregabilidade continua a ser o principal desafio do sector.
Os dados foram apresentados pelo Presidente da República, João Lourenço, na quinta-feira, 15 de Outubro, durante o discurso sobre o Estado da Nação, na Assembleia Nacional. Segundo o Chefe de Estado, a rede nacional integra 31 instituições públicas e 75 privadas, distribuídas por 18 das 21 províncias do país, com uma oferta de cerca de 1.300 cursos.
Número de estudantes cresce 10,1% em quatro anos
O número de estudantes do ensino superior aumentou de 320.432, em 2022, para 352.873, em 2026, representando mais 32.441 estudantes em quatro anos, segundo os dados apresentados por João Lourenço.
A rede abrange actualmente 18 províncias, o que significa que três ainda não estão continuam sem cobertura académica, de acordo com a distribuição apresentada pelo PR.
Novos cursos e infra-estruturas ampliam a oferta
No domínio da formação, João Lourenço referiu a criação de 28 instituições privadas de ensino superior, mais de 295 cursos de graduação, 11 cursos de bacharelato em ensino destinados a áreas tecnológicas do ensino secundário técnico-profissional, 25 cursos de mestrado e um curso de especialização.
No âmbito do Programa de Melhoria da Qualidade do Ensino Superior e Desenvolvimento da Investigação Científica e Tecnológica, foram criados 167 cursos de graduação, 18 de especialização, 23 de mestrado e 10 de doutoramento.
Nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, foram criados 32 cursos de graduação, sete de especialização, seis de mestrado e quatro de doutoramento.
Em relação às infra-estruturas, foram concluídas e equipadas instalações dos institutos superiores politécnicos do Cuanza-Sul, da Catumbela e do Bengo, bem como do Instituto Politécnico da Universidade Lueji A’Nkonde, em Saurimo.
Quase mil docentes promovidos
A valorização dos recursos humanos foi outro dos aspectos abordados no discurso. Segundo João Lourenço, em 2019 foi realizado um concurso público para o preenchimento de 1.223 vagas no sector, incluindo 779 para docentes, 424 para o regime geral e 20 para investigadores.
No âmbito da implementação do Estatuto da Carreira Docente do Ensino Superior, foram promovidos 921 docentes, num universo de 1.103 candidaturas.
Qualidade e empregabilidade continuam a ser desafios
Apesar do aumento do número de instituições, estudantes e cursos, João Lourenço reconheceu que o crescimento da rede não é suficiente, por si só, para garantir melhores resultados no Ensino Superior.
O governate apontou como principal desafio a transformação da expansão alcançada em qualidade de ensino, produção de conhecimento, inovação, empregabilidade e impacto no desenvolvimento nacional, com maior eficiência e retorno dos investimentos públicos.
Relativamente às bolsas de estudo, afirmou que a política do Executivo tem privilegiado o aumento das bolsas internas de graduação e a atribuição criteriosa de bolsas externas, sobretudo para formação pós-graduada, de acordo com as prioridades de desenvolvimento do país.

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