OPINIÃO: O PUNIV no ensino superior: diplomas sem profissão

Durante anos, o ensino superior em Angola tem-se concentrado em formar estudantes com forte capacidade teórica, mas com fraca preparação prática para o exercício profissional. Noutros termos, forma-se o estudante, mas não o quadro direccionado para uma área específica. Muitos cursos até produzem licenciados capazes de interpretar textos e conceitos, todavia, os mesmos são também incapazes de identificar, com clareza, qual é a profissão que passam a exercer após a conclusão do curso.

Artigo de opinião de Banza André, estudante do 3.º ano de Comunicação Social da Universidade Agostinho Neto.
 
Em vários casos, as instituições académicas reproduzem a mesmíssima errática lógica do PUNIV. O que muda são apenas os nomes, porque a indefinição mantém-se. Assim, cursos como Ciências Económicas e Jurídicas (do ensino médio) dão lugar, no superior, a Ciências da Informação e designações semelhantes, que nunca resulta num enquadramento profissional claro. Tal como acontece no PUNIV, neste curso, o estudante termina a formação de quatro anos sem saber se é jornalista, bibliotecário, arquivista ou gestor da informação, sendo frequentemente empurrado para o mestrado apenas para obter um título que o mercado reconheça.

Este problema não é novo e repete-se ano após ano, contribuindo para o desemprego jovem e para a frustração académica. Sem atribuição clara de competências e títulos profissionais, o diploma perde valor social e económico. Repensar o ensino superior, neste contexto, não é apenas uma exigência pedagógica, mas uma necessidade estrutural, num país onde as oportunidades são escassas e onde a formação universitária não pode continuar a produzir diplomas sem profissão.

Enviar um comentário

1 Comentários