Do “novo cartão de estudante” aos exames: como a UÓR aumentou custos “estrategicamente” sem mexer nas propinas

Apesar de manter inalterado o valor das propinas para o ano lectivo 2025/2026, a Universidade Óscar Ribas (UÓR) procedeu a uma revisão em alta de vários emolumentos académicos, o que aumentou de forma significativa os custos suportados pelos estudantes ao longo do percurso universitário. A alteração resulta da aplicação de uma nova tabela de taxas, elaborada pela Direcção Financeira da instituição em Setembro de 2025.

O documento oficial revela aumentos e valores elevados em serviços considerados essenciais para a vida académica. O exame especial para finalistas passou a custar 36 mil kwanzas, enquanto o exame de recurso, antes 8 mil kwanzas, está agora fixado em 15 mil. A revisão de prova custa hoje 30 mil kwanzas e a melhoria de notas atinge os 50 mil kwanzas. Para estudantes em atraso académico, a “cadeira em atraso” está avaliada em 16.986 kwanzas, mas sobe para 25 mil kwanzas quando envolve recurso.

O novo cartão de estudante, no centro da recente polémica, tem um custo de 5.300 kwanzas, enquanto a segunda via sobe para 27 mil kwanzas. A sua obtenção passou a ser tratada como requisito essencial, apesar de cartões anteriores ainda se encontrarem válidos, segundo relatos de estudantes. A obrigatoriedade é justificada pela universidade com base em parcerias comerciais que permitem descontos em empresas privadas, uma lógica que levanta dúvidas quanto ao carácter opcional do serviço.

Outros encargos recorrentes incluem a taxa de internet (5.295 kwanzas), integrada de forma automática na matrícula e reconfirmações semestrais, apesar de queixas recorrentes de discentes que afirmam não ter acesso efectivo ao serviço. A matrícula do primeiro ano passou a custar 46.544 kwanzas, valor que inclui, além da taxa administrativa, internet, quota da associação estudantil, cartão e código de conduta. Já a reconfirmação do primeiro semestre ronda os 40.244 kwanzas e a do segundo semestre os 23.377 kwanzas.

A tabela inclui ainda valores elevados para actos administrativos e de conclusão de curso. O certificado custa 50 mil kwanzas, o diploma 100 mil, e o trabalho de fim de curso de licenciatura ultrapassa os 303 mil kwanzas, um dos montantes mais altos da lista. Serviços como programa analítico (80 mil kwanzas), declaração com notas urgente (36.500 kwanzas) e mudança de curso (24.266 kwanzas) reforçam o peso financeiro cumulativo.

Estudantes ouvidos pelo Jornal Académico questionam a coerência da política financeira da instituição. “Se as propinas não subiram, por que quase tudo o resto subiu?”, pergunta um finalista, que considera o modelo uma forma indirecta de aumento de custos. Outro estudante critica a obrigatoriedade do novo cartão: “Nem todos querem descontos em empresas parceiras. Quem quiser devia tratar o cartão por conta própria. Forçar o estudante, com ameaça de perder provas, é inaceitável”.

Além dos emolumentos, persistem críticas relacionadas com a duração real dos cursos e o calendário das outorgas. Estudantes relatam licenciaturas de quatro anos que se estendem por cinco e cursos de cinco que chegam a seis anos, adiando a cerimónia de conclusão e prolongando encargos administrativos e financeiros, sem explicações claras por parte da instituição.

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