Feriados, pontes e prolongados condicionam ritmo do ano académico no ensino superior
O ano académico 2025/2026 no ensino superior arrancou a 6 de Outubro de 2025 e deverá terminar a 31 de Julho de 2026, de acordo com o calendário aprovado pelo Decreto Executivo n.º 643/25 de 10 de Julho. Ao longo desse período, estudantes e instituições convivem com um calendário marcado por feriados nacionais, pontes e interrupções prolongadas, que têm vindo a afectar a regularidade das aulas e a organização do processo de ensino-aprendizagem.
Segundo o diploma oficial, o calendário integra doze feriados, entre os quais o 04 de Fevereiro (Início da Luta Armada), 17 de Fevereiro (Carnaval), 08 de Março (Dia Internacional da Mulher), 23 de Março (Dia da Libertação da África Austral), 03 de Abril (Sexta-feira Santa). Na prática, haverá sete prolongados e três pontes concedidas pelo Estado, que devem fragmentar os semestres e obrigar muitas instituições a reajustar horários, condensar conteúdos e, em alguns casos, cancelar pausas pedagógicas previstas, como forma de recuperar tempo perdido.
Estudantes sentem impacto directo no rendimento académico
Estudantes ouvidos pelo Jornal Académico referem que a sucessão de feriados, pontes e semanas interrompidas compromete a continuidade das aulas e cria dificuldades acrescidas na preparação para avaliações. “Há disciplinas em que ficamos quase duas semanas sem aulas e, quando regressamos, o ritmo é tão acelerado, que não retemos nada. E esse tipo de coisa prejudica quem precisa de tempo para assimilar a matéria”, relata Pascoal Domingos, estudante da Universidade Agostinho Neto.
Outros apontam que a recuperação do tempo lectivo recai quase sempre sobre os discentes. “As pausas pedagógicas acabam por canceladas e somos nós que temos de compensar, tendo de estudar sob maior pressão antes e depois dos exames”, afirmou uma estudante finalista do curso de Medicina da Universidade Privada de Angola.
Docentes alertam para limites pedagógicos
Do lado dos docentes, há o reconhecimento de que a fragmentação do semestre dificulta o planeamento pedagógico. Professores do ensino superior admitem que a compressão dos conteúdos em menos semanas pode comprometer a profundidade das matérias. E defendem que a gestão das interrupções deveria ser discutida de forma mais estruturada entre instituições, ministérios e órgãos reguladores, evitando soluções de última hora que afectam estudantes e professores.
Propostas e soluções em debate
Entre as soluções apontadas no meio académico está a revisão da distribuição das semanas lectivas, com maior flexibilidade para acomodar feriados sem recorrer ao cancelamento de pausas pedagógicas. Outra proposta passa pela antecipação ou redistribuição de avaliações contínuas, reduzindo a concentração de provas no final dde cada semestre.Há também quem defenda a criação de directrizes nacionais mais claras sobre a gestão de feriados no ensino superior, distinguindo o calendário civil do calendário académico, bem como o reforço do ensino híbrido em semanas interrompidas, como forma de minimizar perdas lectivas sem sobrecarregar os estudantes.

Comentários
Enviar um comentário