Angola quer deixar de ser apenas consumidora de conhecimento científico

Angola quer transformar a sua posição no ecossistema científico e tecnológico, passando de um país predominantemente consumidor de conhecimento para um produtor de ciência e soluções capazes de responder aos seus próprios desafios.

Por Lihuleno Daniel • Jornal Académico 

Imagem:  Alice de Fátima em conferência no Japão.

A posição foi apresentada pela secretária de Estado para a Ciência, Tecnologia e Inovação, Alice de Fátima Pinto de Ceita e Almeida, durante a participação de Angola no STS Forum 2026, realizado de 4 a 6 de Outubro, no Centro Internacional de Conferências de Quioto, no Japão.

A governante, que liderou a delegação angolana em representação do ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Vicente Lopes Ferreira, participou na 23.ª Mesa-Redonda de Ministros da Ciência e Tecnologia, onde apresentou a experiência de Angola na consolidação do seu ecossistema nacional de ciência, tecnologia e inovação.

Na intervenção, Alice de Almeida destacou o papel do Estado na criação de condições para o desenvolvimento da investigação científica, nomeadamente através de infra-estruturas, financiamento e mecanismos de apoio à produção de conhecimento e à inovação.

Exemplos que Angola levou ao STS

Entre as estratégias apontadas está o financiamento da investigação e desenvolvimento através de consórcios que reúnam instituições de ensino superior, empresas, startups e organizações da sociedade civil. A intenção é aproximar a produção científica das necessidades concretas do país e estimular a transformação do conhecimento em soluções.

A responsável defendeu ainda o reforço da formação de investigadores e das competências científicas, como parte do processo de construção de uma base nacional de conhecimento. A meta, segundo a intervenção apresentada no fórum, é fazer com que Angola deixe progressivamente de assumir apenas o papel de utilizadora de conhecimento produzido externamente.

IA, tecmologia e clima estiveram no "menu"

O STS Forum 2026 reuniu líderes políticos, cientistas, académicos e representantes de organizações internacionais sob o tema “Navigating Tectonic Shifts in Science, Technology, and Society”. O encontro debateu questões como inteligência artificial, tecnologias digitais, energia, alterações climáticas, saúde, educação e cooperação científica internacional.

A inteligência artificial esteve entre os principais temas do fórum, com discussões sobre riscos e oportunidades, segurança, confiança, governação e responsabilização no desenvolvimento e utilização destas tecnologias.

À margem do encontro, a delegação angolana manteve também um encontro com a embaixadora de Angola no Japão, Teodolinda Rosa Rodrigues Coelho, com quem abordou a participação do país no fórum e possibilidades de reforço da cooperação bilateral nos domínios da ciência, tecnologia e inovação.


Sobre o autor


Lihuleno Daniel é editor e repórter do Jornal Académico, especializado na cobertura do ensino superior, ciência, investigação científica e políticas públicas para a educação em Angola.

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