Recentemente, quando o relógio marcava 19h00 em Angola, acompanhei uma informação divulgada por um órgão de comunicação social do sector privado, no seu principal serviço noticioso da noite. Travata-se do anúncio de um concurso público que teve lugar na província capital, Luanda.

Segundo aquele meio informativo, para tristeza total minha, outra vez, um grupo composto por vários técnicos superiores lutava fervorosamente por uma vaga de emprego na categoria de Auxiliar de Limpeza. Custou-me acreditar que um número elevado de cidadãos com o grau superior clamava, assim quase que aos gritos, por uma oportunidade para tratar da limpeza de uma escola ou hospital e, em contrapartida, receber os seus magros ordenados.
Depois de acompanhar toda aquela confusão, questionei-me inúmeras vezes: como é possível que jovens e pessoas de outras idades, que com inúmeros sacrifícios e dificuldades frequentaram o ensino superior, sejam hoje vistos como pessoas com baixo nível de escolaridade, devido à enorme vergonha por que passam sempre que são anunciados concursos públicos?
Assistir a indivíduos que passaram longos anos à procura de um diploma a limpar o chão da casa de banho de uma escola, de um hospital ou do gabinete de alguém que, se calhar, não foi colocado naquele posto de trabalho por mérito, mas por influência de um conhecido — o que, aliás, é uma realidade em muitos países africanos, particularmente em Angola — é doloroso. É uma lástima.

0 Comentários