UCAN e ISPTEC lideram ranking de produção científica em Angola; UAN cai para o quarto lugar

Durante décadas, a Universidade Agostinho Neto (UAN) foi vista como a principal referência do ensino superior angolano. Maior universidade pública do país, berço de grande parte dos docentes e investigadores que hoje actuam nas instituições nacionais, a UAN construiu uma posição de destaque quase incontestável no panorama académico. Contudo, os dados mais recentes do AD Scientific Index 2026 sugerem que o mapa da investigação científica em Angola poderá estar a mudar.

O ranking internacional, que avalia o desempenho científico das instituições com base na produção académica e no impacto das publicações dos seus investigadores, coloca a Universidade Católica de Angola (UCAN) nas duas primeiras posições nacionais, através das designações "Catholic University of Angola" e "Universidade Católica de Angola", enquanto o Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC) surge na terceira posição. A Universidade Agostinho Neto aparece apenas em quarto lugar, ficando atrás de instituições que, durante muitos anos, estiveram longe de disputar a liderança científica do país.
 

Uma nova liderança científica

A ascensão da UCAN não acontece por acaso. Nos últimos anos, a universidade tem reforçado a aposta na investigação, expandido a oferta de pós-graduação e aumentado a participação dos seus docentes em publicações científicas e eventos académicos internacionais. O resultado é visível nos indicadores bibliométricos utilizados pelo AD Scientific Index, que colocam a instituição no topo da classificação nacional.

O ranking mostra igualmente uma forte presença de investigadores da UCAN entre os académicos mais citados do país, um factor determinante para o desempenho institucional. A universidade beneficia ainda de uma crescente internacionalização das suas actividades científicas e de uma produção académica cada vez mais visível em bases de dados internacionais.

O ISPTEC, por sua vez, consolidou-se como uma das instituições mais activas na produção científica ligada à engenharia, tecnologia e investigação aplicada. Apesar da sua dimensão relativamente reduzida quando comparada com universidades públicas de maior escala, a instituição conseguiu construir uma presença relevante na investigação, demonstrando que o impacto científico não depende apenas do número de estudantes ou da antiguidade institucional.

O que explica a perda de terreno da UAN?

Fundada em 1962, a UAN continua a ser uma das maiores universidades do país, concentra milhares de estudantes e mantém um papel central na formação de docentes, investigadores e quadros da administração pública.

Segundo o AD Scientific Index, a universidade conta com 27 investigadores registados na plataforma e mantém presença relevante em áreas como Educação, Direito, Ciências Sociais e Ciências da Saúde. Ainda assim, o ranking sugere que a vantagem histórica que detinha no domínio da investigação científica está a ser gradualmente reduzida.

Parte dessa mudança pode estar relacionada com a crescente competição entre instituições e com a importância cada vez maior atribuída à publicação em revistas científicas indexadas, às citações académicas e à internacionalização da investigação. Neste contexto, universidades mais recentes e especializadas parecem estar a adaptar-se rapidamente aos novos critérios utilizados para medir impacto científico.

O que mede, afinal, o AD Scientific Index?

Ao contrário de rankings universitários que avaliam reputação institucional, qualidade do ensino ou internacionalização, o AD Scientific Index concentra-se na produtividade dos investigadores. Entre os indicadores utilizados encontram-se o índice H, o índice i10 e o número de citações científicas acumuladas pelos académicos afiliados às instituições.

Por essa razão, a classificação não mede directamente a qualidade global das universidades. Mede, antes, a capacidade dos seus investigadores produzirem conhecimento científico com impacto e reconhecimento internacional. Ainda assim, trata-se de um dos instrumentos mais utilizados para avaliar a força investigativa das instituições de ensino superior.

Se esta tendência se mantiver, a principal consequência poderá ser o aumento da produção científica nacional e uma maior diversificação dos centros de investigação. A questão que fica é saber se a UAN conseguirá recuperar a liderança nos próximos anos ou se Angola está a assistir à consolidação de uma nova geografia científica, marcada pela ascensão da UCAN, do ISPTEC e de outras instituições emergentes.

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