OPINIÃO: O garimpeiro escolar: quando o professor vira sobrevivente do sistema
Um olhar crítico sobre a docência em Luanda
![]() |
| Artigo de opinião de Adriano Sumbo, licenciado em Ciência Política pela Universidade Agostinho Neto |
Esta prática, embora contribua para suprir carências imediatas de docentes, levanta sérias preocupações quanto à qualidade do ensino. A sobrecarga de trabalho, a fragmentação do tempo pedagógico e o cansaço acumulado comprometem o acompanhamento dos alunos e a profundidade das aprendizagens. A lógica de mercado aplicada à docência transforma o professor num trabalhador itinerante, reduzindo a escola a um espaço de prestação de serviços e enfraquecendo a sua função social de formação integral do cidadão.
A proliferação do “garimpeiro escolar” não deve ser lida como falha individual, mas como sintoma de um sistema que desvaloriza a profissão docente. Baixos salários, formação insuficiente, fraca fiscalização e políticas públicas inconsistentes contribuem para a normalização deste fenómeno. Num país que assume a educação como eixo estratégico do desenvolvimento, é urgente repensar as condições de trabalho dos professores, sob pena de continuarmos a formar gerações com diplomas, mas sem aprendizagem sólida.



Esplêndida observação 👏🏿👏🏿👏🏿👏🏿👏🏿👏🏿
ResponderEliminar