A qualidade do ensino superior não depende apenas dos currículos, das infra-estruturas ou dos investimentos públicos. Depende, sobretudo, da capacidade dos docentes de transformar conhecimento especializado em aprendizagem efectiva. Apesar disso, muitas universidades continuam a valorizar quase exclusivamente os títulos académicos, relegando para segundo plano as competências pedagógicas necessárias ao exercício da docência.
Artigo de opinião de Carlos Conceição, docente universitário, sociólogo e PhD em Ciências da Religião.É inegável que a formação científica constitui um requisito fundamental para quem lecciona no ensino superior. Contudo, dominar uma área de conhecimento não significa, automaticamente, saber ensinar. A docência universitária exige capacidades específicas de comunicação, planeamento pedagógico, avaliação e acompanhamento dos estudantes. Sem estas competências, corre-se o risco de transformar as salas de aula em espaços de mera transmissão de conteúdos, sem promover reflexão crítica, criatividade ou autonomia intelectual.
Autores como Paulo Freire e Marcos Masetto defendem que o professor deve assumir um papel activo na construção do conhecimento, criando condições para que os estudantes participem de forma crítica no processo educativo. Esta perspectiva ganha particular relevância num momento em que as universidades procuram formar profissionais capazes de enfrentar problemas complexos e contribuir para o desenvolvimento do país.
Profissionalização da docência universitária
Em Angola, o crescimento do ensino superior nas últimas décadas trouxe novos desafios. O aumento do número de instituições e de estudantes exige docentes cada vez mais preparados para responder às exigências de uma sociedade em constante transformação. Neste contexto, a formação pedagógica contínua deixa de ser um complemento e passa a constituir uma necessidade estratégica para a melhoria da qualidade do ensino.
Por essa razão, discutir a profissionalização da docência universitária deve fazer parte da agenda do ensino superior. Valorizar a investigação científica é importante, mas investir na formação pedagógica dos docentes é igualmente essencial. Afinal, a missão da universidade não se resume à produção de conhecimento; passa também pela capacidade de o transmitir de forma eficaz às novas gerações.
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