OPINIÃO: Teologia feminista e o silêncio das estruturas religiosas

A teologia feminista continua a ocupar um espaço periférico no debate religioso em Angola, apesar das transformações sociais e do reconhecimento formal da igualdade de género. Historicamente dominado por uma produção teológica masculina, o discurso religioso mantém estruturas que limitam a participação efectiva das mulheres nos espaços de decisão, mesmo quando estas já desempenham funções relevantes nas comunidades de fé.

Artigo de opinião de Carlos Conceição, docente universitário, sociólogo e PhD em Ciências da Religião.

Visibilidade sem poder

Embora se observe maior presença feminina em algumas denominações, sobretudo a partir da década de 1990, essa visibilidade raramente se traduz em influência institucional. A nomeação de mulheres para cargos estratégicos permanece exceção, revelando uma resistência estrutural que ultrapassa a dimensão doutrinária e se manifesta nas práticas organizacionais das igrejas. A teologia feminista surge, neste contexto, como instrumento crítico, ao questionar a legitimidade de um discurso construído predominantemente a partir da experiência masculina.

O desafio da redistribuição de poder

Num país onde a religião exerce forte influência social, a ausência de mulheres nos níveis mais altos da hierarquia religiosa levanta questões sobre coerência entre discurso e prática. Mais do que reconhecimento simbólico, o desafio passa pela redistribuição efectiva de poder dentro das instituições religiosas, condição necessária para que a teologia feminista deixe de ser marginal e passe a integrar o centro do pensamento teológico em Angola.

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