Cerca de 33 mil estudantes bolseiros em todo país enfrentam atrasos de aproximadamente de sete meses no pagamento das bolsas internas, numa crise sem precedentes reconhecido pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE). A paralisação afecta directamente milhares de beneficiários que dependem do apoio estatal para assegurar propinas, alimentação, transporte e permanência no ensino superior.
O director-geral do INAGBE, Domingos Canguende, admitiu a gravidade da situação e justificou a demora com um processo de reorganização, controlo e verificação destinado a reforçar a transparência no sistema. Segundo o responsável, cerca de 27 mil estudantes já foram validados, num universo de 33 mil bolseiros, enquanto continuam auditorias em instituições públicas e privadas para detectar irregularidades.
Durante a revisão, o instituto identificou múltiplos casos de fraude, incluindo falsificação de contratos e inclusão indevida de estudantes no sistema de bolsas. De acordo com o INAGBE, algumas instituições recebiam documentação fraudulenta sem capacidade própria de validação, o que levou ao reforço de mecanismos de segurança, incluindo verificação por código QR e futuras equipas móveis para renovação presencial das bolsas nas universidades.
Apesar das garantias de regularização até à primeira quinzena do próximo mês, estudantes denunciam impactos severos na sua vida académica, com dificuldades no pagamento de propinas e despesas básicas, além de crescente incerteza sobre a continuidade dos estudos. O atraso prolongado expõe fragilidades administrativas num dos principais instrumentos públicos de apoio ao ensino superior.
Regido pelo Decreto Presidencial n.º 63/20, o sistema de bolsas internas baseia-se em critérios de mérito e condição socioeconómica. A actual crise reacende questionamentos sobre capacidade institucional, fiscalização e eficiência na gestão de recursos públicos destinados à formação superior, num momento em que o acesso e permanência universitária continuam a depender fortemente do financiamento estatal.
@Correio da Kianda

0 Comentários