OPINIÃO: A crise existencial e o oportunismo das seitas religiosas em Angola
A crise social, económica e moral que atravessa a sociedade angolana tem contribuído para uma crescente fragilização do indivíduo, afectando a sua capacidade de compreender o seu lugar, o “ser” e o “estar”, no contexto social. Este cenário alimenta uma busca constante por respostas emocionais, materiais e espirituais, e cria um terreno fértil para a proliferação de seitas e denominações religiosas que, em muitos casos, exploram a vulnerabilidade dos cidadãos.
Artigo de opinião de Carlos Conceição, docente universitário, sociólogo e PhD em Ciências da Religião.Neste contexto, observa-se uma transformação preocupante de parte do fenómeno religioso. Em vez de desempenharem um papel de orientação espiritual e reconstrução moral, algumas estruturas passam a operar como verdadeiras unidades económicas, onde a fé é convertida em produto e o milagre em promessa condicionada. A instrumentalização da crença, associada à precariedade social, coloca em causa não apenas a dignidade dos fiéis, mas também a função social da religião.
Perante este cenário, impõe-se um reforço da actuação do Estado, através de instituições como o Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR), no sentido de garantir maior fiscalização e regulação do sector. Ao mesmo tempo, plataformas religiosas como o Conselho de Igrejas Cristãs (CIC) em Angola e outras associações devem assumir um papel mais responsável na organização e legalização das instituições, práticas que fragilizam ainda mais o tecido social e moral do país.
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