Estudo da docente Sara da Costa avalia a eficácia do currículo de Inglês no secundário em Angola

A professora e investigadora Sara Neves Bengui da Costa, doutoranda no Instituto de Educação da Universidade do Minho, publicou um novo trabalho científico sobre a eficácia do currículo de Língua Inglesa nas escolas secundárias angolanas. Saiba mais abaixo

Por Lihuleno Daniel • Jornal Académico

Imagem: Sara da Costa, investigadora e docente do ISCED-Luanda

O estudo, intitulado "The Effectiveness of the English Language Curriculum in Angolan Secondary Schools: Student Achievement and Teacher Perceptions", surge integrado na colectânea Diáspora Científica e a Diversidade Cultural na Pesquisa, publicada internacionalmente como capítulo de livro pela Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na Galiza (APEC), em Espanha.

Três escolas, quarenta alunos, uma pergunta central

A investigação partiu de resultados obtidos na dissertação de mestrado da autora e centrou-se em três instituições públicas do distrito do Kilamba, em Luanda, onde foram observadas aulas do 11.º ano, o último ano em que o Inglês é leccionado no ensino secundário. No total, participaram seis professores observados em sala de aula, oito entrevistados e quarenta alunos submetidos a testes de proficiência escrita e oral.

A questão central que orienta o estudo procura saber até que ponto o actual currículo de Língua Inglesa é eficaz em termos de desempenho dos estudantes e das percepções dos professores. As respostas, sustentadas em dados empíricos, revelam um quadro preocupante.

Os números que preocupam

Os quarenta alunos obtiveram uma média de 11 valores tanto nos testes escritos como nos orais, resultado que a investigadora considera aquém dos objectivos definidos pelo currículo nacional.

Na componente escrita, apenas 30% dos estudantes conseguiu responder correctamente às questões de gramática, e somente 10% foi bem-sucedido na secção de composição escrita. Já na oral, a maioria dos discentes limitou-se a apresentações básicas sobre si próprios, com vocabulário reduzido e pronúncia classificada como elementar. Alunos que frequentavam cursos externos de Inglês destacaram-se claramente dos restantes, o que a investigadora interpreta como um indicador directo das limitações do programa escolar.

Professores insatisfeitos, currículo questionado

Do lado dos professores, a insatisfação foi generalizada. Cinco dos seis temas identificados nas entrevistas apontaram para falhas estruturais. Os docentes queixaram-se da repetição de conteúdos desde o 7.º ao 12.º ano, da escassez de materiais adequados e do desalinhamento entre os manuais fornecidos pelo Ministério da Educação e o currículo em vigor. A exclusão dos professores na concepção dos programas foi outro ponto crítico levantado, e vários entrevistados defenderam que os "desenhadores curriculares" deveriam trabalhar em conjunto com os docentes antes de definir os programas.

Uma revisão urgente

A publicação surge num momento de debate crescente sobre as políticas linguísticas e o ensino público no país. A investigadora, que também é docente assistente no Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), conclui que o currículo actual não é eficaz e apela a uma revisão urgente que priorize a competência comunicativa, o envolvimento docente, a provisão de recursos e estratégias de motivação dos estudantes.

O estudo pode ser consultado gratuitamente através do Zenodo (clique aqui) e também no ResearchGate (clique aqui).


Sobre o autor


Lihuleno Daniel é editor e repórter do Jornal Académico, especializado na cobertura do ensino superior, ciência, investigação científica e políticas públicas para a educação em Angola.





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