Produção científica nacional ainda está aquém do esperado

Baixo investimento em investigação, escassez de investigadores e fraca ligação entre universidades e sector produtivo figuram entre os principais entraves ao desenvolvimento científico de Angola, conclui o mais recente relatório da UNESCO.

Por Redacção • Jornal Académico

Angola reforçou a aposta na investigação científica nos últimos anos, mas continua longe de transformar esse esforço em produção científica com expressão internacional. A avaliação é do Higher Education Global Evidence Report 2025 (HER 2025), da UNESCO, que aponta fragilidades persistentes no financiamento, na capacidade de investigação e na articulação entre universidades e sector produtivo.

Quais são os desafios que Angola tem por superar

O relatório assinala que muitos países da África Subsaariana, incluindo Angola, continuam condicionados por limitações estruturais que reduzem a capacidade de produzir ciência de qualidade. Entre os principais obstáculos identificados figuram o baixo investimento em investigação e desenvolvimento, a insuficiência de infra-estruturas laboratoriais, o reduzido número de investigadores por habitante e a fraca articulação entre universidades, centros de investigação, empresas e instituições públicas.

Em que pé anda o financiamento à investigação 

Como o Jornal Académico noticiou, o Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026 destinou 435,7 mil milhões de kwanzas para o sector do ensino superior. Contudo, desse montante, apenas 9,47 mil milhões de kwanzas foram alocados à pós-graduação e à investigação científica. Na altura, especialistas ouvidos pelo J.A alertaram que, apesar do reforço orçamental, a investigação permanecia em segundo plano nas prioridades do financiamento público. A avaliação da UNESCO converge, em específico, com esse diagnóstico.

A organização destaca ainda que fortalecer a ciência vai além do aumento das verbas ou da criação de novas instituições. Segundo esclarece, é necessário consolidar um ecossistema capaz de transformar investigação em inovação, conhecimento aplicado e soluções para problemas concretos nas áreas da saúde, agricultura, energia, ambiente, educação e transformação digital, para além da promoção da cooperação científica e da valorização dos investigadores.

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