O ser humano, enquanto ser sociável, é influenciado por diferentes instituições e sectores da sociedade. A família e a escola, por exemplo, desempenham um papel importante na construção da moral, dos valores e da cultura, intervindo desde os primeiros momentos da vida. Entre esses agentes de influência encontra-se também a religião, que pode actuar de forma profunda sobre pensamentos, atitudes e sentimentos.
Por Carlos Conceição | Opinião
Este artigo não pretende esgotar do conteúdo de uma questão tão ampla. Nem poderia fazê-lo diante de poucas linhas. Mas traz, tão somente, à luz alguns dados teóricos e estatísticos relacionados com a temática, suscitando questionamentos e reflexões acerca da questão proposta.
São vários os factores que condicionam o comportamento humano, e a religião ocupa um lugar relevante entre eles pelo seu poder de transmitir princípios e valores. Para os indivíduos que vivenciam uma experiência religiosa, esses princípios podem tornar-se referências para orientar as suas escolhas e condutas, levando-os a aproximar-se de padrões estabelecidos pela comunidade religiosa.
A religião não se limita, por isso, à dimensão espiritual. Ao influenciar valores, costumes e concepções morais, pode também exercer determinado controlo sobre o comportamento individual e contribuir para a manutenção da ordem social. Os princípios religiosos podem estabelecer limites entre aquilo que é considerado aceitável e aquilo que é visto como inadequado, influenciando a forma como os indivíduos se relacionam consigo próprios e com os outros.
Essa influência também pode ultrapassar a esfera individual. A religião participa na construção da identidade colectiva de determinados grupos e pode interferir na definição de costumes, normas sociais e, em determinadas circunstâncias, até no ordenamento jurídico. Enquanto elemento cultural, constitui um mecanismo de organização social que contribui para estabelecer referências comuns de convivência.
Dessa forma, pode-se afirmar que toda religião é importante à medida que constitui um relevante mecanismo de organização social, permitindo que o ser humano viva em sociedade de forma ordenada, assim como aponta Radcliffe-Brown:
"Ante o exposto, consegue-se perceber uma relação entre a frequência à igreja e as atitudes que os indivíduos tomam, considerando que a religião insere os seus princípios na sociedade, estabelecendo o que é aceitável ou não e fazendo com que as pessoas absorvam conceitos sobre aquilo que é tido como certo ou errado."
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