As catástrofes que atingiram Benguela neste sábado, 11 de Abril, com transbordo do rio Cavaco e bairros submersos, ocorrem num contexto já amplamente mapeado por investigadores angolanos. Dissertações e estudos técnicos da última década previram o risco e apresentaram medidas concretas para mitigá-lo, mas nunca foram tidos nem achados.

Alerta precoce já era defendido em 2012
Dois anos antes, o estudo de Júlio Tonecas, focado nas bacias dos rios Cavaco e Catumbela, já defendia sistemas de previsão e alerta precoce baseados em monitorização contínua e análise de cheias históricas. O autor documenta episódios anteriores com vítimas e desalojados, sublinhando que o problema é recorrente e que, por isso, bastante previsível.
Gestão integrada é reforçada em pesquisas recentes
Investigações mais recentes, incluindo trabalhos académicos desenvolvidos por estudantes angolanos sobre a bacia do Catumbela, reforçam a necessidade de gestão integrada da bacia hidrográfica. Isso inclui controlo do uso do solo, actualização de dados hidrológicos e planeamento territorial. A dimensão da bacia, superior a 16.500 km², e a sua ocupação crescente aumentam a exposição ao risco.
Histórico mostra fragilidade e falta de prevenção
Casos anteriores de cheias na região, incluindo alguns que destruíram infraestruturas como pontes no rio Cavaco, já tinham evidenciado fragilidades estruturais e ausência de medidas preventivas consistentes. A repetição de cenários semelhantes, agora alinhados com recomendações científicas antigas, recoloca no debate a implementação efectiva das soluções propostas pela investigação produzida no ensino superior (e que foram ignoradas).
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