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OPINIÃO: O futuro da juventude angolana está em risco

Quando se afirma que a juventude representa o futuro do país, reconhece-se implicitamente o seu papel na reprodução e transformação das estruturas sociais. Em Angola, a população jovem revela uma clara estratificação social: há jovens inseridos na vida académica e científica, outros envolvidos na actividade política e religiosa, e um segmento significativo sem qualquer ocupação formal estável. É neste último grupo que se concentram as maiores fragilidades sociais e económicas dos nossos tempos.

Artigo de opinião do docente universitário Carlos Conceição, sociólogo e PhD em Ciências da Religião.




Uma parte considerável da juventude encontra-se ligada ao sector informal economia — “lotação” de táxis, venda ambulante, actividades piscatórias ou permanência prolongada em casas de apostas desportivas. A limitação estrutural do mercado de trabalho formal, aliada à reduzida capacidade de absorção de talentos nos concursos públicos promovidos por sectores como Educação, Saúde ou Interior, restringe as alternativas. Isso, para não mencionar a ausência de políticas consistentes de reindustrialização e estímulo ao auto-emprego, que, se inexistentes, agravam ainda mais o cenário e comprometem a transição produtiva da nova geração.

O debate, certamente, continua. Mas a questão do futuro da juventude não pode ser meramente retórica. O Executivo deve elaborar políticas públicas sustentadas, apostar na diversificação económica e no investimento em sectores capazes de gerar emprego qualificado. Ignorar esta realidade significa adiar, outra vez, soluções e expor o país a riscos sociais acumulados. A juventude não pode ser alimentada apenas de promessas, deve ser tratada como o que é: a força activa que precisa de oportunidades concretas para cumprir o seu papel no desenvolvimento nacional.

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